Como fazer um estudo de viabilidade imobiliária em São Paulo
Um estudo de viabilidade é uma sequência de perguntas, e a ordem importa mais que a lista. Feito na sequência certa, o item que inviabiliza aparece antes de você gastar com os outros.
Escrito pela equipe da Viabili · Publicado em
A resposta curta
Um estudo de viabilidade responde uma pergunta: vale comprar este terreno por este preço? Para chegar lá, seis etapas, nesta ordem:
| # | Etapa | Custo |
|---|---|---|
| 1 | Identificar o imóvel — endereço, SQL, medidas | grátis |
| 2 | Zoneamento — quanto se pode construir | grátis |
| 3 | Restrições — o que pode zerar o projeto | grátis |
| 4 | Titularidade — de quem é, para negociar | indicativo grátis, confirmação paga |
| 5 | Preço de referência — o que se pagou ali | consulta paga |
| 6 | Conta — potencial, outorga, custo, resultado | seu trabalho |
As três primeiras não custam nada e eliminam a maioria dos terrenos. É por isso que vêm primeiro: gastar certidão em terreno que uma consulta gratuita descartaria é o desperdício mais comum do ramo.
1. Identificar o imóvel
Tudo começa no SQL — setor, quadra e lote —, que é a chave de praticamente toda consulta pública sobre um imóvel em São Paulo. É também o número de contribuinte do IPTU.
Um cuidado que aparece cedo: numa incorporação, o terreno quase nunca é um lote só. A análise é da soma dos lotes contíguos, não de cada um.
2. Zoneamento: quanto se pode construir
É a primeira pergunta que tem resposta numérica, e ela define o tamanho do negócio: coeficiente básico, coeficiente máximo, taxa de ocupação, gabarito, recuos e usos permitidos.
E o erro mais comum do ramo mora aqui: olhar a zona e parar ali. O zoneamento diz o que a regra de uso e ocupação permite. Ele não diz nada sobre as seis restrições da etapa seguinte — e qualquer uma delas pode reduzir o projeto a zero.
3. Restrições: o que pode zerar o projeto
Seis consultas, todas gratuitas, todas independentes do zoneamento:
- Bem tombado — quando a proteção recai sobre o próprio imóvel
- Área envoltória de tombamento — quando o tombado é o vizinho e a restrição é sua
- ZEPEC-APC e interesse arqueológico — proteção cultural que não é tombamento
- Área contaminada e reabilitada — passivo ambiental, que é custo e prazo
- Desapropriação e melhoramento viário — obra pública reservada sobre o terreno
- Área pública e área cedida — parte do lote que não é privada
Duas regras valem para todas as seis. A primeira: o mapa diz onde olhar; o documento diz o que é. A segunda: várias delas protegem por processo aberto, antes da decisão final — então "não é tombado ainda" pode significar "já está restringido".
4. Titularidade: com quem negociar
Base cadastral indica quem consta como proprietário. A matrícula confirma. A diferença entre as duas coisas é o que separa uma conversa iniciada de um negócio fechado.
- Qual cartório de registro de imóveis atende o endereço
- Como pedir a matrícula de um imóvel
- Como ler a matrícula, e o que procurar primeiro
- Due diligence imobiliária: o roteiro completo
5. Preço de referência: o que se pagou ali
Anúncio é pedido; ITBI é o que constou na transmissão. A diferença entre os dois, no mesmo bairro, costuma decidir se um terreno está caro.
6. A conta
Com potencial construtivo e preço de referência, fecha-se o estudo:
- Área computável pelo coeficiente, descontadas as áreas não aproveitáveis
- Outorga onerosa quando se constrói acima do coeficiente básico — e ela é custo de aquisição do potencial, não taxa administrativa
- Estudo de massa — o volume que caberia ali com recuos e gabarito
- Custo de obra, custo financeiro, e o resultado
E o que vem depois, que é onde o cronograma se decide:
- Alvará de aprovação e alvará de execução — porque aprovar projeto e poder construir são duas coisas
O padrão que atravessa o roteiro inteiro
Se houver uma frase para levar desta página:
Quase tudo que trava um empreendimento depois da compra dava para ver antes dela, numa consulta gratuita.
A outorga não recolhida, a anuência de patrimônio, a manifestação ambiental, o alinhamento viário, a questão de titularidade — todas aparecem no licenciamento, e todas eram visíveis na etapa 3, quando o terreno ainda não era seu.
É por isso que a ordem deste roteiro é essa, e não outra.
Onde consultar na fonte oficial
- GeoSampa — o mapa cadastral e as camadas de restrição: geosampa.prefeitura.sp.gov.br
- Legislação municipal — LPUOS, Plano Diretor e Código de Obras: legislacao.prefeitura.sp.gov.br
- Portal SP 156 — certidões municipais: sp156.prefeitura.sp.gov.br
- Registro de Imóveis do Brasil — cartório competente e certidões: registrodeimoveis.org.br
- CETESB e SVMA — cadastros de área contaminada, estadual e municipal
Este roteiro é o método, não o parecer. Estudo de viabilidade de incorporação envolve análise jurídica, urbanística e financeira, e cada uma tem responsável técnico. O que estas páginas fazem é evitar que se chegue nesses profissionais com um terreno que uma consulta gratuita já havia descartado.
O roteiro inteiro numa tela, com o lote já cruzado
A Viabili faz em minutos a parte que este roteiro descreve em sete portais — e guarda o resultado, para o próximo terreno não começar do zero.
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